Traidores da pátria, Maradona e os pós-nacionalistas
Depois da recepção no aeroporto, a claque do Porto irá estar presente amanhã no Estádio do Bessa para apoiar … a Lázio. Pretextos: 1 a presença de Sérgio Conceição e Fernando Couto na turma italiana 2 o parentesco entre as cores emblemáticas do FCP e da Lázio. Objectivo: Irritar os 6 milhões de benfiquistas (ainda estou para ver os Censos de 2001).
A indignação parece ser geral. Eu, como fervoroso adepto do FCP, sinto necessidade de me demarcar da atitude dos super dragões, isto sem sequer evocar os que no fracasso fizeram do Celtic a sua equipa aquando da final taça UEFA (pronto já evoquei). Mas se é verdade que eu vou torcer pelo Benfica porque sei que a qualidade o futebol que tenho à porta muito depende do sucesso das nossas equipas pela Europa, sinto-me longe dos argumentos que por estas alturas se erigem contra os Super Dragões como se eles fossem traidores da Pátria a merecer a guilhotina. Não concordo com a atitude deles, reprovo-a até, mas não por referência a um qualquer nacionalismo que clame pela glória da nossa história e que diga que os que estão deste lado das fronteiras são sempre melhores que os outros.
Sempre fui um pouco pós-nacionalista, lembro-me de pensar no tempo de Maradona que, se por algum acaso Portugal jogasse contra a Argentina do El Pibe, eu iria fatalmente torcer pelo 11 das Panpas em detrimento de Paneira, Futre e seus correligionários. Talvez eu já tivesse uma identidade multi-situada pouco dada às inflamações nacionalistas que Amin Maalouf tanto condena, talvez a minha nação fosse o mapa de encanto desenhado pelo pé esquerdo de Maradona. Os Super Dragões encontram-se na curiosa tensão entre um regionalismo bacoco, a lealdade subserviente aos tempos do império Romano e um pós-nacionalismo cosmopolita de pendor humanista. Amanhã vitória do Benfica será a minha vitória, espero. Questiono se os impropérios tão característicos das claques serão cantados à moda do Porto, em Latim ou em Esperanto. Aí saberemos para onde pendem estes dragões que só a eles se representam.
A indignação parece ser geral. Eu, como fervoroso adepto do FCP, sinto necessidade de me demarcar da atitude dos super dragões, isto sem sequer evocar os que no fracasso fizeram do Celtic a sua equipa aquando da final taça UEFA (pronto já evoquei). Mas se é verdade que eu vou torcer pelo Benfica porque sei que a qualidade o futebol que tenho à porta muito depende do sucesso das nossas equipas pela Europa, sinto-me longe dos argumentos que por estas alturas se erigem contra os Super Dragões como se eles fossem traidores da Pátria a merecer a guilhotina. Não concordo com a atitude deles, reprovo-a até, mas não por referência a um qualquer nacionalismo que clame pela glória da nossa história e que diga que os que estão deste lado das fronteiras são sempre melhores que os outros.
Sempre fui um pouco pós-nacionalista, lembro-me de pensar no tempo de Maradona que, se por algum acaso Portugal jogasse contra a Argentina do El Pibe, eu iria fatalmente torcer pelo 11 das Panpas em detrimento de Paneira, Futre e seus correligionários. Talvez eu já tivesse uma identidade multi-situada pouco dada às inflamações nacionalistas que Amin Maalouf tanto condena, talvez a minha nação fosse o mapa de encanto desenhado pelo pé esquerdo de Maradona. Os Super Dragões encontram-se na curiosa tensão entre um regionalismo bacoco, a lealdade subserviente aos tempos do império Romano e um pós-nacionalismo cosmopolita de pendor humanista. Amanhã vitória do Benfica será a minha vitória, espero. Questiono se os impropérios tão característicos das claques serão cantados à moda do Porto, em Latim ou em Esperanto. Aí saberemos para onde pendem estes dragões que só a eles se representam.