O meu primeiro Xamã

Nos tempos idos da minha Licenciatura em Antropologia, havia um professor - entretanto "desaparecido"- que exercia um inexplicável fascínio nos alunos. Era parco nas notas, pouco solícito no contacto pessoal, mágico nas aulas. Falava três horas seguidas, sem intervalo, para não perder o fio -era raro alguém saír a meio. Quando começava era como se uma performance artística ocupasse a sala, o fim da aula era o fim do espectáculo. Retenho a memória de um colega para quem um charro antes da aula se tinha tornado indispensável. Durante três horas, fumador e não fumadores ali se ficavam nessa entranha familiaridade que a Antropologia amadrinhava.



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